quinta-feira, 3 de outubro de 2013

O tempo do tempo


A chuva já molhou os caminhos por onde passei. O sol já fez com que toda a água evaporasse. Existem lugares por onde andei, e que jamais voltarei. Já alguns, vez ou outra, acabo visitando novamente.O único lugar em que sempre estou, e que nunca mais será o mesmo, sou eu. Memórias já não doem mais. Me refiz.
Quando se acha que não pode mais seguir, que acabou, é quando um novo caminho se faz. O tempo traz suas marcas, deixa sua história, e eu, no meio disso tudo, fico observando a vida ao meu redor, em um dia nublado, no banco de uma praça, e lembrando dos nomes na areia que foram levados para o fundo do mar. Pra sempre...
Um pouco inocente, às vezes inconsequente, de um sorriso largo e humor disfarçado, levanto a cabeça e escondo segredos de menino-homem que busca a paz interior.

Caio Polonini
25/09/2013

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Um doce amargo



Há uma grande insensibilidade misturada com tamanha doçura. São poemas inacabados, pontas de cigarro e xícaras sujas de café. 
Há um calor diferente misturado com um gosto que já conheço em um caminho que já sei onde vai dar. São grinaldas de amor incompleto que esvoaçam pelo vento.
Há um cheiro irresistivelmente atraente misturado com ansiedade fazendo todas as moléculas se movimentarem de uma forma estranhamente surreal. É a nostalgia que bate feito ponteiro de relógio ao chegar no número doze.
E essa doçura amarga escorre em meu corpo nu, preenchendo tudo de vazio, deixando cada espaço repleto de um nada absurdamente pesado. Me sinto tão cheio de vazio!
Nao chegue perto, pois assim quebra o encanto. Me olhe de longe, através de um vidro espesso que é pra não te contaminar com a minha estranheza. Mas por favor não me deixe, é doloroso demais quando a luz se apaga e eu fico desnorteado na incerteza de um sonho de uma noite de verão. Sou um ponto de luz que ilumina o seu rosto e te embala em seu sono. Se um dia eu perder as forças, não fique para me salvar, pois isso significa que chegou a hora de você voar. E voe!  Não quero que esteja aqui quando eu apagar...

Caio Polonini
11/07/13

sexta-feira, 29 de março de 2013

O amor espera...


Em uma esquina, no ponto de ônibus, na noite fria ou em um beco escuro, o amor verdadeiro espera. No sorriso sincero, no calor das mãos, na emoção de um beijo ou em um olhar perdido, o amor verdadeiro espera. Na dor, na saudade, na lembrança ou nos segredos, o amor verdadeiro espera.
Dia desses estarei na praça, em um banco de concreto olhando o movimento das pessoas caminhando, sorrindo, e sem perceberem que as observo, irei sentir por um momento curto uma felicidade tão imensa que não sentirei meus pés no chão. Estarei lá de prontidão, no frio, no calor, pois o amor verdadeiro espera.
Seja nesse mundo real, virtual, cósmico ou imaginário, o amor verdadeiro espera. Espera o tempo que for, com a saudade que for, mas espera. Intacto, sem arranhões, sem marcas do tempo, pois quando é verdadeiro espera e não guarda dores. Fica pronto, na espera, mesmo sabendo que nada vai acontecer, que ninguém virá enxugar suas lágrimas. O amor verdadeiro espera. Não importa o tempo que passe, os acontecimentos que se manifestam. No fundo, bem no íntimo já sabemos o que é... a espera.
O tempo nos desanima, mostra outras possibilidades, e desta forma tocamos nosso barco para uma direção, porém com aquela sensação e a certeza de que o amor verdadeiro espera.
Molha o rosto, aperta o peito, perde a voz, mas não esquece da espera. Eu sei que você também espera e assim como eu, sei que sente a vontade de sumir, porém não importa pra onde vá, e nem qual seja a distância, mas a espera estará presente. Em um sorriso frouxo, em um olhar sem esperanças, ou em um sentimento gigante, o amor verdadeiro espera.
Não precisa se preocupar, eu apenas queria chorar um pouco, isso é normal. Todos temos uma odisseia de sentimentos no peito.E são em buscas por papéis, fotos, textos, cartas que encontramos a maior verdade de todas: nada.
Não sinta culpa, não tenha vergonha. Não morra, não se afogue nesse desespero, eu apenas quero que você não vá... não seja áspero. Não vá... se não eu vou me sentir tão sozinho. Eu permanecerei no banco frio de concreto com a eterna esperança de que seja como for, o amor verdadeiro espera. Não é tristeza, é apenas saudade das coisas simples que a vida levou...

Bruno Akimoto
29/03/2013
Dedicado à Matsuo Akimoto e as dores da vida...

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Minha festa


As noites sem muito sono são as que mais me preocupam, pois pensamentos vão além. Sou pequenino muitas vezes, principalmente quando tenho medo. Te sinto grande quando está perto de mim, e isso me acolhe. Quero sempre ser tua melhor parte.
Acordei aos berros, certa noite. Não sei explicar até hoje o que me causou o caos, mas logo senti teu calor e esqueci a crueldade do mundo. Dormi em paz.
Ando me sentindo despreparado para a vida, cheio de receios e anseios. Sempre fui muito doído, doido... Estou vivendo o meu luto e guardando cada gota como se fosse a última. Nasceu um rio. Quando a última gota chegar, vou comemorar. Enquanto isso, minha vida é uma festa e eu choro se eu quiser e o quanto eu quiser...

Caio Polonini
21/12/2012

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Suspiro divino

Se um dia eu te perder, junto uma parte da minha alma irá se perder também. Minha mente irá entrar novamente em confusão e eu perderei alguns sentidos que com muito custo tentei recuperar. Tudo o que se perde é recuperado de outra forma, mas de um jeito ou de outro se restitui, mesmo que seja um pouco torto.
Um carro me atropelou, pois confundi a cor. Quem nunca se enganou achando que no vermelho teria só o amor? Eu sigo em meu eterno questionamento que se multiplica a cada espasmo de segundo e ao assumir o amor, ao sumir o amor, ao suprir o amor, enfrento a dose diária de cada nascer do sol que me põe em pé diante de uma realidade cruel.
Está eternizado em mim o que vivi, e o que está por vir tem espaço para pulsar feito a formação da vida no útero materno, que é tão divino quanto respirar. E num sopro de vida, vou voar para onde houver cor e sabor.

Caio Polonini
25/10/2012

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Pensando, só


Eu estou só... só pensando. Pensando só. Lá de longe, onde ninguém pode alcançar. Perdido em meus devaneios, no encontro comigo mesmo, na saudade de um beijo.
Eu que me joguei no amor, com ardor, com fervor e acordei de um sonho bom, embalei em um sonho ruim, mas não foi pesadelo, foi só ruim.
Olhei-me no espelho. Cara pálida, cabelo bagunçado, boca vermelha, sorriso nos olhos, satisfação no peito.
Eu vivo de sensações e seja como for, seja como dor, seja como flor, eu estou só... só pensando. Pensando só.
Tenho medo de me tornar um menino alado, voar muito alto e me perder de mim. De te perder. Quero uma distância curta para não perder o teu olhar do meu, mesmo que eles já estejam perdidos, mesmo que a incerteza esteja pululando a cada minuto que passa e que eu morro. Socorro!
Deixemos os corações pulsar naturalmente e o vento nos levar, mas não para muito longe. Não para sempre. Mas deixemos...

Caio Polonini
19/06/2012

domingo, 17 de junho de 2012

Filme antigo

  E então fecho os meus olhos e apenas sinto. Vivo um sonho bom que me incomoda por saber que de um jeito ou outro vai acabar, mas o vivo intensamente até chegar o momento do inevitável.
A tua chegada, o meu sorriso, nosso encontro em algo que se resume em um abraço encaixado sob arcos envolventes em um jardim onde me deito e esqueço do mundo. Há apenas nuvens, devaneios, cheiro e sorriso.
Em lugares, gabinetes, memórias, histórias, fragmentos de um sim, em você, em mim, em nós, uma pausa. Te encontro como num conto que não tem fim. O inevitável agora bate à porta. Beijos com gostinho de café e abraços com perfume recém borrifado.
Te visito todos os dias e tu nem sabe. Pensamento é coisa abstrata. Já soltei diversos sorrisos sem ninguém saber, sequei lágrimas que ninguém jamais precisou ver, filosofei coisas que não fizeram sentido e menos ainda chegaram a algum lugar. Senti absurdos que guardei em mim, desejei mesmo sabendo que não teria, fiz coisas que ninguém saberá, pois talvez tenha passado de um simples ledo engano.
As nuvens que cobrem o céu, mudam de forma a cada instante, assim como teu rosto e jeito de viver. Tua cara de filme antigo amanheceu sorrindo em pleno domingo de sol e eu parei para te assistir.

Caio Polonini
17/06/2012

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Para Caio, o Polonini


Caio, já disse que teu nome é lindo e que eu o adoro? Pois declaro aqui o meu gosto por ele. Eu não conheço nenhum Caio, nem mesmo um amigo. Na verdade tive um coleguinha na pré-escola com este nome. Nem sei por onde ele anda. Depois dele não tive mais ninguém. Agora só tenho a ti, meu companheiro de escrita.

Eu não posso abraçar o Caio, mas acho que o amo, e ele a mim. Ele não existe pro mundo exterior, pois está no meu interior, e isso me dá um certo desespero, porém me sossego em saber que o tenho. Talvez isso basta.

Ah Caio, nem sei o motivo em falar tudo isso pra ti... desculpe. Somos tão parte um do outro que podemos sentir igual, ou parecido, por isso fico tranqüilo com essa confusão, pois sei que me compreende. Mesmo não sabendo muito bem quem é você, eu tenho um carinho grande, mas e daí? Tu também não sabe muito bem quem sou eu, a gente está tão acostumado a se esconder e se proteger que este escudo se tornou algo natural.

O Caio fala comigo e muitas vezes escreve o que eu sinto. Eu procuro fazer o mesmo com ele, mas me resumo a uma xícara quentinha de café. Ele se irrita comigo quando fico distraído, mas logo me perdoa quando eu lanço um sorriso meio maroto. O Caio agora é meu amigo. Eu quis escrever pra ele só pra ver suas covinhas aparecerem em meio de risos ao ler esta porcaria toda. Eu queria conseguir definir o Caio em palavras, mas não consigo. Talvez ele seja o meu abraço, meu sorriso, meu beijo, meu corpo emaranhado nos lençóis de alguém ou uma simples poesia.

Caio, fique que te farei café. Vamos plantar feijõezinhos? Sei que não é muito divertido, mas eu sou assim, mais simples do que pensa. Estar ao teu lado, sem dizer nada, apenas um contemplar a presença do outro já é bom.

O Caio não entende que na verdade eu sou uma imaginação. Ele é bom em fingir que não se importa, mas sei que no fundo o meu olhar penetra em sua alma e entranhas. O Caio sou eu, e eu o Caio, isso não é confuso, mas à beira do abismo, eu quase caio.
Bruno Akimoto
23/05/2012

domingo, 20 de maio de 2012

Resta-me sorrisos


Restam-me apenas imagens, que não saem do pensamento assim como milhares de sensações que tetnho em mim.
Há certas coisas que leio e me deixam assustado por serem tão iguais ao que penso. Tem gente que combina com nossas idéias, se encaixam em nossos beijos e nos aconchegam em abraços. Há sorrisos que cativam pelo simples fato de existir. Risos que entram em nossos ouvidos e ficam gravados. Tudo isso são sensações, e eu vivo delas. Tem gente que a gente pensa ser perfeito para pegar, guardar e cuidar. Sõ que não. Então é melhor deixar ir antes que a coisa fique mais séria, pois a dor fica mais diluída e a saudade do "nunca" fica vagando pelo espaço, machucando o peito de leve acompanhado de questionamentos e dúvidas que difícilmente são esclarecidas, por conta de fatos quea vida insiste em carregar.
Eu viveria tudo de novo se me fosse possível. E se eu tivesse a consciência de hoje, num passado não muito distante e específico, eu seria muito mais feliz.
Queria tanto poder fazer com que as coisas fossem mais fáceis, pois fico sempre a tua espera, mas tu não vem. Será que não fui o suficiente para ti? Tenho a impressão que Ás vezes viver é tão delicado. Tenho medo que tudo quebre e eu não possa fazer nada.


Caio Polonini
19/05/2012
"Que sem eu aí não tem ninguém pra te aquecer..."

quinta-feira, 3 de maio de 2012

A pequena horta

Sentimentos e sensações definitivamente não foram feitos para explicar. Ventos e conexões me fazem ir para um tempo e espaço deliberadamente mágico. Como explicar o calor interno diante do frio externo? Que responsabilidade essa de carregar em si memórias e sentimentos. é mais complexo do que se pensa, e por vezes não se controla e transborda.
Tenho milhares de palavras para dizer o que sinto, mas realmente não sei como usá-las. O sol, o céu e o mar, quanto vale um abraço e o encontro de olhos com uma pureza que te envolve e encanta? É com simplicidade e encanto que construímos os melhores momentos de nossas vidas, e são estes pequenos pedaços que transformam o ser humano em algo melhor. E ainda são estas coisas boas que hora ou outra nos cutucam lembrando da saudade feliz que existe. Coisas que vivemos jamais voltam ou são iguais. A vida é única e singular, e estou salvo de repetições, porém condenado pela saudade que chega sempre para avisar que já é o momento de algo bom acabar. Apesar de tudo sou grato pela vida.
Um belo dia acordarei no meio da noite, olharei para o mundo em chamas, abrirei minha janela e gritarei para aliviar toda esta solidão em mim. Um dia desses vou me lamentar tanto da minha dor que não vai sobrar lágrimas para molhar meu rosto. Numa linda tarde eu poderia te dar adeus e desaparecer. Só que não.

Bruno Akimoto
02/05/2011