sábado, 23 de outubro de 2010

Perdão

Primeiramente, perdão!
Eu não tenho culpa de sentir vontade de escrever e não conseguir, os dias estão passando e cada vez morro um pouco, mas isso não é culpa minha. Na verdade, não há culpado.
Estou enfrentando meus demônios, meus males e meus defeitos. Tentando crescer, entender e compreender... mas não é fácil segurar as lágrimas quando o coração é ferido. Eu tento ser forte, mas chega uma hora que as coisas cedem e fogem do meu controle. Eu sei que fracassei por muitas vezes, mas manter a pose de "durão" não é fácil. Até quando Deus vai ouvir meus lamentos e pedidos de ajuda?
E então, no ápice da minha insanidade, eu assumo que preciso morrer. Sim, mas não é uma morte literal, e sim uma forma de me livrar do meu peso. Tem certos segredos meus, que só eu sei. É interessante esse ato de cumplicidade de mim comigo mesmo.
Eu não quero me limitar ao limitado, apenas quero ter a liberdade de sorrir sem medos ou vergonha de ser feliz. Importar-se com minimalias é bobagem, quero deixar de lado o que não me faz bem e salvar o que há de bom em mim, e o que há de bom em você.


Bruno Akimoto, sentindo falta de Caio Polonini
23/10/2010

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Por Clarice, meu amor.



"Quer saber o que eu penso? Você aguentaria conhecer minha verdade? Pois tome. Prove. Sinta. Eu tenho preguiça de quem não comete erros. Tenho profundo sono de quem prefere o morno. Eu gosto do risco. Dos que arriscam. Tenho admiração nata por quem segue o coração. Eu acredito nas pessoas livres. Liberdade de ser. Coragem boa de se mostrar. Dar a cara à tapa! Ser louca, estranha, chata! Eu sou assim. Tenho um milhão de defeitos. Sou volúvel. Tenho uma TPM horrível. Sou viciada em gente. Adoro ficar sozinha. Mas eu vivo para sentir. Por isso, eu te peço. Me provoque. Me beije a boca. Me desafie. Me tire do sério. Me tire do tédio. Vire meu mundo do avesso! Mas, pelo amor de Deus, me faça sentir... Um beliscãozinho que for, me dê. Eu quero rir até a barriga doer. Chorar e ficar com cara de sapo. Este é o meu alimento: palavras para uma alma com fome. "

[Clarice Lispector]

domingo, 27 de junho de 2010

Mudança



Uma das coisas mais doloridas da vida é a espera. Como é cruel ter que esperar para ter o que se quer. Esperar um telefonema, uma carta, uma notícia, um beijo, uma palavra de carinho, uma visita, um grande amor...
Um dia desses eu vou cansar desta espera, vou jogar tudo para o alto e buscar coisas novas. Mas não é por maldade, e sim por amor próprio. Tenho tanto trauma das desilusões. Muitas vezes esperei tanto por algo, e depois descobri que não teria. Isso é doloroso demais.
Pequenas coisas podem fazer imensas diferenças, e um simples gesto tem o poder de arrancar um sorriso nos dias tristes. Quando as pessoas aflorarem estas percepções, talvez deixem de plantar tristezas e de quebrar alguns corações que se importam com minimalismos.
O tempo cura a dor que ficou no vaio desfarçado de sorriso. Eu sigo, apenas isso. Nada mais. Estou cansado de esperar, e um dia jogo tudo para o alto. Juro que sim.

Caio Polonini
24/06/2010

Amplexos vazios



São tantas coisas que passam em minha cabeça, que às vezes penso que vou enlouquecer. De fato a vida não é coisa de se brincar, assim como sentimentos também não. A ausência é algo tão desesperador e complexo que não consigo educar o meu coração a não sofrer mais do que devia. Oh Deus, estou tão vazio de palavras e tão cheio de sentimentos tristes; o que fazer, se ainda não aprendi a me controlar?
Apenas quero escrever para tentar me livrar do peso que estou carregando em mim. Quero te dizer que não tenho mais paz com sua ausência, e que esse sentimento me calou. As noites sem teu corpo são amplexos vazios em madrugadas frias, são beijos em pedras de gelo que fazem os lábios adormecerem, assim como enfraquecem meus desejos subalternos que se transformam em doces ilusões. São grinaldas de amor espalhadas pela casa, pelos campos e florestas onde me perco quando te procuro e me encanto quando te encontro.
Estou perdido procurando teu olhar repleto de mistérios e certezas que me fortalecem quando minhas lágrimas começam a me afundar em um poço de mágoas.
Envolva-me com teu amor, embriaga-me de paixão, enebria-me com teu sorriso, adora-me com tuas palavras, sustenta-me em teus braços e me leve daqui, para que longe eu possa ser feliz. O inferno são os outros, e não podemos cair nas armadilhas que aparecem nos caminhos da vida.
Todo o medo e desespero vão passar, e quando isso acontecer, uma janela vai abrir neste quarto escuro em que se esconde minha alma, iluminando o ambiente, e dessa forma, deixarei de viver uma felicidade que sempre me foi meio clandestina para viver o sonho que certo dia um anjo me prometeu.

Caio Polonini
23/06/2010

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Dois mundos, um sentimento



Sou carente de mim e descobri que busco essa falta do meu ser nas outras pessoas. Esse é o meu problema. Agora me sinto na obrigação de mudar o que sou, e não ficar apenas na teoria. Preciso me permitir mais, viver mais para mim do que para os outros. Ninguém entra em meu mundo, e eu esqueço dele para cuidar de outro. Sim, pois cada um tem seu mundo particular. O máximo que posso fazer é tentar juntar os dois, porém eles não se fundem, e o máximo que consigo é aproximá-los. Tenho medo de me enganar e de enganar, pois sentimentos são complexos demais para brincar. O que escrevo é para aliviar a dor que sinto, e que preciso eliminar.

Caio Polonini
Um pouco chateado...
02/06/2010

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Lutar ou correr



Há tantas verdades ocultas entre você e eu, que me intriga saber ou imaginar todos os contos escritos em um livro de mistérios. Tento não remoer o passado, mas ele sempre vem à tona nas noites de reflexão. Perco-me em mim, no que eu sinto e no que sou. Sinceramente tento compreender muitos dos mistérios que estão ao meu redor, mas acabo me confundindo quando misturo sentimentos. Estou sofrendo de amor feliz, em que mesmo tendo encontrado o que eu queria, sinto-me sozinho, no vazio e com frio. Amar é sofrer e enfrentar dificuldades que muitas vezes são necessárias. Estou preso a este sentimento que é meu inferno e paraíso ao mesmo tempo, e me resta apenas ficar calado observando as chamas ao meu redor destruindo as expectativas de uma vida inventada para fugir da realidade. Estou confinado a deixar de ser o que sou e secar minhas lágrimas que insistentemente escorrem e, aos olhos alheios, nada significam. Tu te afastas de mim a cada segundo, e em mim, sinto desabar o mundo. Eu não sei por que insisto em esperar que as coisas mudem, pois cada movimento me faz criar uma esperança em minha mente que jamais acontece, e eis mais uma frustração para minha coleção. A dor do amor fere mais que uma faca de bom gume.
O jardim morreu, não há nada além de uma única rosa que teme não resistir em meio de tanta seca. Amar é intraduzível e abstrato, tento entender e quando penso ter encontrado respostas, me vejo perdido no jardim que um dia foi belo e me vejo cada vez mais só. O tempo, talvez, vai me mostrar o que fazer: Lutar ou correr.

Caio Polonini
17/05/2010

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Pretérito mais que perfeito



Pretérito mais que perfeito no indicativo que se torna imperfeito. Imperfeito no presente do indicativo com chances de ser perfeito no futuro do pretérito. Você quer ser meu verbo auxiliar? Se for ao infinitivo, aí sim seria melhor, pois deixava de lado até as cadeias verbais, esquecia dos temporais que passariam pela nossa janela. Viveria de letras e sua língua com gosto quente de partida breve. Seriamos nós as palavras e nossa cama amarrotada pelos verbos que iríamos experimentar.
Onomatopéias, ditongos e hiatos. Há um hiato perturbador entre nós. Entre as conjugações e tempos verbais vou me definhando aos seus poemas e cantos de pássaro triste que estranhamente soam docemente em meus ouvidos. Estranho seriam meus versos sem os verbos de ligação, que apenas tu sabes como usar. Estranho seria se com o tempo eu não soubesse conjugar o verbo amar...
E depois dessa odisséia de termos, uma onomatopéia seria o bastante para expressar o nosso calor... Falemos pouco; pra não gastar o silêncio entre nós. Sonhemos pouco; para não gastar esse tempo ocioso que insiste em estar presente. Façamos barulho algum; para ver se fugimos do hiato, pra ver se contrariamos o ditado que insiste em pregar que não dá para ser feliz a distância.
Nossa paixão é um pretérito perfeito, que quanto mais perfeito, mais passado se torna, e eu passo noites em claro tentando te encontrar na vastidão de sonhos e encantos conjugando o verbo sofrer. Faça as malas, não tenha medo. O caminho eu te explico. Mostro-te, se quiser como conjugar o verbo querer, e dessa forma, deixaremos de sofrer.

Bruno Akimoto e Matheus Castro
14/05/2010

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Sonho



A madrugada silenciosa me faz ter espasmos de paixão. Tenho sempre a mania de guardar o que há de bom em mim e nunca saber usar, ou na verdade, ter medo de usar na hora errada. Questiono-me se sei qual é a hora certa e chego a conclusão de que isso não deve ser rotulado, pois não há momento certo para começar a amar e viver, isso é constante, basta querer. Este silêncio fala mais do que uma multidão e me faz pensar sobre coisas que eu sei. Olho no relógio e minha impaciência cresce.
Amor, que coisa linda é você! Enquanto dorme, a noite acontece e eu não me preocupo mais com as horas quando vejo sua face angelical a respirar entre suspiros tão doces que chegam a adocicar meus lábios. Nesta doçura viajo além de mim, atravessando mistérios e impérios para curar a dor que fere o peito da vastidão de ter você e não poder tocar. Escuto harpas enquanto tu mergulhas em teus profundos sonhos cheios de aventuras, e me deleito aos seus sorrisos encantados.
Sofro impulsos de saudade que pululam constantemente enfraquecendo meus suspiros e, quase desfaleço mais uma vez de amor. Não é fácil te sustentar em mim, às vezes penso que morrerei qualquer dia desses por amar tanto, pois tudo transborda em mim e eu me definho em palavras ao léu que são inúteis quando tento traduzir meus sentimentos. A madrugada ainda não acabou, eu ainda tenho um restinho de tempo para te observar antes de morrer para renascer, e então ser seu novamente, feito uma fênix que jamais abandona seu dono.

Caio Polonini
13/05/2010

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Loucura e tormento



Estou convencido que tenho forte tendência para a loucura, e isso é tão angustiante. É como estar preso em um aquário de vidro gritando de dor, e as pessoas passarem ao redor e não escutarem. Estou cansado de ser eu mesmo, me sinto pesado demais para meu corpo, mas não consigo me livrar disso, é constante em mim. Perco o meu raciocínio e fico inconsciente sem saber o que estou fazendo no mundo. É uma loucura tamanha que nem gritos superam. A causa é desconhecida, na verdade a grande questão é saber porque as coisas estão tomando rumos tão inusitados. Nada está bom, não é suficiente e concreto. Mas como posso saber a origem disto meu Deus? Tá faltando um pouco de adrenalina, friozinho na barriga, sussuros ao ouvido, paixão ao próximo... tudo está cinza. Eu não preciso, mas digo que te amo, pois não consigo esconder de mim esta verdade que me faz tão bem.
Quero tudo e ao mesmo tempo, nada! Minha cabeça está pulsando e minha garganta apertada de tanto desespero. Seria engraçado se em uma manhã dessas me encontrassem morto, pois o silêncio iria predominar o ambiente e o mistério do que realmente aconteceu seria um hiato. Talvez assim alguém pudesse me compreender quando digo que o silêncio é pior que mil palavras, porém eu não chegaria a tal ponto de cometer esta loucura, que aos meus olhos é admirável e deprimente. Eu gostaria de parar de escrever bobagens e voltar a sonhar com o amor, mas só vejo névoas que embaçam minha visão depresiva. Estou me desconhecendo, isso não sou eu, e sim um pedaço mal de mim.

Caio Polonini
09/05/2010

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Torre alta



O amor é tão misterioso, que mesmo se em vida, eu abrisse meu corpo e expusesse meu coração ao mundo, ele jamais seria visto, tocado ou ouvido. O amor existe, eu sei que sim. Só não sei como conseguirei mostrar a você este sentimento que invade meu corpo, domina minha alma e toma conta do meu juízo. Quando amo, sou verdadeiro e às vezes intenso demais. Me descontrolo, fecho os olhos e cegamente vou seguindo as batidas de seu coração, que me chama loucamente, e eu, em um estado fora de mim te sigo.
Tua beleza natural faz com que eu escreva palavras bonitas, feito um espelho que reflete as verdades mais simples. Apenas te observo no meu silêncio, e na minha solidão particular. Fico imaginando situações, e acho engraçado saber que não irão se concretizar. Tua voz ainda ecoa em meus ouvidos fazendo com que eu feche meus olhos e consiga ver tua imagem sorrindo para mim. A prata que reluz, ilumina mais ainda esse seu olhar de paixão e alegria pela vida. Isso acaba refletindo em meus olhos cinzentos que estão acostumados a esconder-se em um baú escuro, e quando surge a luz, faz com que fiquem marejados de uma emoção singela que não se pode explicar. Tudo é muito surreal.
Ocasionalmente, pela vida, o seu olhar vem de encontro ao meu e o deixa nutrido com uma energia cósmica e platônica. Eu não penso, saio de mim, apenas deixo a emoção tomar conta deste corpo cansado de viver as mesmices de sempre. A tua esperança, mesmo não sendo destinada a mim, me causa sensações múltiplas de bem estar, e só de saber que está bem, meu coração consegue respirar aliviado e emocionado.
Vem, que eu ainda espero um dia fugir desta solidão, montar em meu cavalo branco e correr pela floresta ao seu encontro. Neste conto de fadas a história foi invertida, pois eu sou o príncipe que foi preso pela bruxa malvada e estou a espera de um dia, encontrar a liberdade sem fim.

Caio Polonini
26/04/2010