sexta-feira, 16 de maio de 2014

A felicidade alheia


Alô, meu bem, ainda estou aqui onde me deixou. Não saí muito do lugar, com medo de você chegar e eu não estar. Estou sozinho nessa estrada longa, e é uma pena que não estejas comigo. Quando olho no relógio e já é meia noite, não há mais o desejo de bons sonhos ou de que eu durma bem. Tô indo com o vento, mas meu coração congelou no tempo. Eu antes tinha tua mão para segurar, mas hoje tenho que driblar as curvas da vida e tentar pular as ondas da saudade, onde muitas vezes me afogo. Não há um único dia em que não penso em você, pois cada passo é um compasso em um espaço vazio sem ti.
A felicidade alheia nunca me foi tão irritante como hoje, e preciso vergonhosamente admitir isso, pois estou cansado de criar uma fantasia em minha rotina, onde preencho o vazio de vazio e estampo um sorriso que não existe, mas que convencionalmente exponho. Ainda estou aqui, onde me deixou, você sabe o caminho...

Bruno Akimoto
16/05/2014

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Adeus, meu bem


Estou tão dolorido que me falta o ar de vez em quando. Lembro-me quando tocou meu rosto, olhou em meus olhos com uma ternura imensa e disse que eu era lindo. Eu estava me sentindo muito bem mesmo. Quando me olhei no espelho, vi algo diferente, nunca me vi daquela forma, era uma paz... eu estava lindo!
Como todo conto de fada tem um fim, eis que transformo essa dor em lamento. A gente nunca sabe quando vai ser o último encontro, a última despedida, o último abraço, o último olhar, a última promessa. Tem coisa que vai embora com o vento, mas fica no tempo. Lembrar pode doer. Você soltou a minha mão, a mesma que um dia segurou tão forte que achei que estava seguro. Hoje, meu bem, sou um pedaço de papel dobrado em algum canto do teu quarto.

Bruno Akimoto
28/02/2014

domingo, 12 de janeiro de 2014

Combinações



Acendeu um cigarro e nem se quer perguntou, ou se importou, se eu fumava. Havia tanta indiferença em seu olhar, que me senti sem graça de puxar qualquer assunto. Um silêncio constrangedor perpetuava entre nós, e parecia que a qualquer momento um buraco iria se abrir no chão e eu iria sumir. Na verdade, o meu desejo era sumir mesmo, só não sabia como fazer isso ainda. O vazio estava tão repleto dele mesmo, que era possível ouvir o silêncio, e se passasse uma mosca, pequenina que fosse, seria como uma orquestra sinfônica. Não havia uma palavra se quer, menos ainda interesse em saber se eu gostava de determinado estilo musical, ou qual livro estava lendo. Até que em um momento, quando passou pela minha cabeça que ao menos iria me oferecer um copo de água, comentou que era melhor eu partir. E então, feito um pedaço de nada no meio do nada, sumi naquele buraco imaginário que eu já estava desejando há um tempo. Afundei-me em um breu danado, que por um instante achei que não teria saída, ou que o fim estivesse próximo e eu não precisaria mais me afogar. Talvez se tivesse morrido, não sentiria tanta vergonha da vida. Mas qual graça teria se tudo estivesse acabado, e eu morto e enterrado? Tô esperando essa escuridão passar pra poder ver o sol nascer de novo. É difícil se afogar e respirar ao mesmo tempo, pois nem sempre duas ações se completam tão bem como amar e sofrer.

Caio Polonini
12/01/2014

domingo, 5 de janeiro de 2014

Saudade descontente


É tanta doçura em um sorriso, que me belisco a todo instante para me convencer que é real. Vivo momentos, com dor no peito, pois sei que acabam. Mas vivo. O perfume me acompanha provisoriamente, logo passa, eu sei, mas enquanto posso, o respiro. Porque momentos que amaciam o coração, passam feito chuva de verão? O gosto é de fruta fresca que apodrece com o tempo, este bendito que passa para o bem e o mal. O que a gente faz com o tempo, e o que ele faz conosco? Deus queria que mais carinho apareça, pra sossegar meu descontentamento, cegar-me da crueldade e perfumar os campos por onde vou. Surpreendentemente, caminhos se cruzam, se entrelaçam, encaixam feito peça de lego, e depois se separam. É a lei da vida, onde tudo tem um começo, meio e fim. E então no meu percurso, vivo essa fofura que vira amargura, provo do doce que vira salmoura, e tranco de novo com chave o meu coração. Deixar o sol entrar pode ser doloroso, pois se eu pudesse, guardava um raio dele, em um potinho, pros dias frios e escuros. Quem não sofre, mesmo que de leve, não sabe o que é viver. Estou andando nas nuvens, in-cons-tan-te-men-te, em uma briga entre o viver e o sobreviver, ardendo de desejo, queimando no desassossego. O hoje é agora, já o amanhã, são apenas planos que não sei se terei tempo de cumprir. Promessa tola, é prometer sem saber se poderei...

Caio Polonini
05/01/2014

sábado, 12 de outubro de 2013

Kasato Maru


Delicadamente pouso meu olhar no teu sorriso, e cuidadosamente tento disfarçar. Olhar além do superficial é mágico, somos tão repletos de histórias, cheios de passado e segredos. A noite que passou foi um momento. Estou vivendo deles, os momentos, e preenchendo vazios que foram deixados. É uma desfragmentação interna para juntar os cacos de "quem eu sou", e transformar em uma coisa só. Não escondo meus medos e receios, mas é que em um instante percebi que a vida é agora, e quando eu achava que nada poderia me surpreender, a mesma me mostra o contrário.
Coincidências são traquinagens do destino, que muitas vezes trazem sorrisos quentes em lágrimas frias. É um acalanto pro coração que, a cada batida, procura um caminho.
O outro lado do mundo é apenas o começo de uma grande aventura, independente da língua que for. Sayonara, good bye, adeus.

Caio Polonini
12/10/2013

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

O tempo do tempo


A chuva já molhou os caminhos por onde passei. O sol já fez com que toda a água evaporasse. Existem lugares por onde andei, e que jamais voltarei. Já alguns, vez ou outra, acabo visitando novamente.O único lugar em que sempre estou, e que nunca mais será o mesmo, sou eu. Memórias já não doem mais. Me refiz.
Quando se acha que não pode mais seguir, que acabou, é quando um novo caminho se faz. O tempo traz suas marcas, deixa sua história, e eu, no meio disso tudo, fico observando a vida ao meu redor, em um dia nublado, no banco de uma praça, e lembrando dos nomes na areia que foram levados para o fundo do mar. Pra sempre...
Um pouco inocente, às vezes inconsequente, de um sorriso largo e humor disfarçado, levanto a cabeça e escondo segredos de menino-homem que busca a paz interior.

Caio Polonini
25/09/2013

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Um doce amargo



Há uma grande insensibilidade misturada com tamanha doçura. São poemas inacabados, pontas de cigarro e xícaras sujas de café. 
Há um calor diferente misturado com um gosto que já conheço em um caminho que já sei onde vai dar. São grinaldas de amor incompleto que esvoaçam pelo vento.
Há um cheiro irresistivelmente atraente misturado com ansiedade fazendo todas as moléculas se movimentarem de uma forma estranhamente surreal. É a nostalgia que bate feito ponteiro de relógio ao chegar no número doze.
E essa doçura amarga escorre em meu corpo nu, preenchendo tudo de vazio, deixando cada espaço repleto de um nada absurdamente pesado. Me sinto tão cheio de vazio!
Nao chegue perto, pois assim quebra o encanto. Me olhe de longe, através de um vidro espesso que é pra não te contaminar com a minha estranheza. Mas por favor não me deixe, é doloroso demais quando a luz se apaga e eu fico desnorteado na incerteza de um sonho de uma noite de verão. Sou um ponto de luz que ilumina o seu rosto e te embala em seu sono. Se um dia eu perder as forças, não fique para me salvar, pois isso significa que chegou a hora de você voar. E voe!  Não quero que esteja aqui quando eu apagar...

Caio Polonini
11/07/13

sexta-feira, 29 de março de 2013

O amor espera...


Em uma esquina, no ponto de ônibus, na noite fria ou em um beco escuro, o amor verdadeiro espera. No sorriso sincero, no calor das mãos, na emoção de um beijo ou em um olhar perdido, o amor verdadeiro espera. Na dor, na saudade, na lembrança ou nos segredos, o amor verdadeiro espera.
Dia desses estarei na praça, em um banco de concreto olhando o movimento das pessoas caminhando, sorrindo, e sem perceberem que as observo, irei sentir por um momento curto uma felicidade tão imensa que não sentirei meus pés no chão. Estarei lá de prontidão, no frio, no calor, pois o amor verdadeiro espera.
Seja nesse mundo real, virtual, cósmico ou imaginário, o amor verdadeiro espera. Espera o tempo que for, com a saudade que for, mas espera. Intacto, sem arranhões, sem marcas do tempo, pois quando é verdadeiro espera e não guarda dores. Fica pronto, na espera, mesmo sabendo que nada vai acontecer, que ninguém virá enxugar suas lágrimas. O amor verdadeiro espera. Não importa o tempo que passe, os acontecimentos que se manifestam. No fundo, bem no íntimo já sabemos o que é... a espera.
O tempo nos desanima, mostra outras possibilidades, e desta forma tocamos nosso barco para uma direção, porém com aquela sensação e a certeza de que o amor verdadeiro espera.
Molha o rosto, aperta o peito, perde a voz, mas não esquece da espera. Eu sei que você também espera e assim como eu, sei que sente a vontade de sumir, porém não importa pra onde vá, e nem qual seja a distância, mas a espera estará presente. Em um sorriso frouxo, em um olhar sem esperanças, ou em um sentimento gigante, o amor verdadeiro espera.
Não precisa se preocupar, eu apenas queria chorar um pouco, isso é normal. Todos temos uma odisseia de sentimentos no peito.E são em buscas por papéis, fotos, textos, cartas que encontramos a maior verdade de todas: nada.
Não sinta culpa, não tenha vergonha. Não morra, não se afogue nesse desespero, eu apenas quero que você não vá... não seja áspero. Não vá... se não eu vou me sentir tão sozinho. Eu permanecerei no banco frio de concreto com a eterna esperança de que seja como for, o amor verdadeiro espera. Não é tristeza, é apenas saudade das coisas simples que a vida levou...

Bruno Akimoto
29/03/2013
Dedicado à Matsuo Akimoto e as dores da vida...

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Minha festa


As noites sem muito sono são as que mais me preocupam, pois pensamentos vão além. Sou pequenino muitas vezes, principalmente quando tenho medo. Te sinto grande quando está perto de mim, e isso me acolhe. Quero sempre ser tua melhor parte.
Acordei aos berros, certa noite. Não sei explicar até hoje o que me causou o caos, mas logo senti teu calor e esqueci a crueldade do mundo. Dormi em paz.
Ando me sentindo despreparado para a vida, cheio de receios e anseios. Sempre fui muito doído, doido... Estou vivendo o meu luto e guardando cada gota como se fosse a última. Nasceu um rio. Quando a última gota chegar, vou comemorar. Enquanto isso, minha vida é uma festa e eu choro se eu quiser e o quanto eu quiser...

Caio Polonini
21/12/2012

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Suspiro divino

Se um dia eu te perder, junto uma parte da minha alma irá se perder também. Minha mente irá entrar novamente em confusão e eu perderei alguns sentidos que com muito custo tentei recuperar. Tudo o que se perde é recuperado de outra forma, mas de um jeito ou de outro se restitui, mesmo que seja um pouco torto.
Um carro me atropelou, pois confundi a cor. Quem nunca se enganou achando que no vermelho teria só o amor? Eu sigo em meu eterno questionamento que se multiplica a cada espasmo de segundo e ao assumir o amor, ao sumir o amor, ao suprir o amor, enfrento a dose diária de cada nascer do sol que me põe em pé diante de uma realidade cruel.
Está eternizado em mim o que vivi, e o que está por vir tem espaço para pulsar feito a formação da vida no útero materno, que é tão divino quanto respirar. E num sopro de vida, vou voar para onde houver cor e sabor.

Caio Polonini
25/10/2012